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DE REGRESSO A PORTUGAL



                                               CARLOS A. BELISTRA










































        OM: Se pudesse melhorar as condições de vida dos portu-  bom coração, estão sempre de braços abertos para rece-
        gueses e dos brasileiros em Portugal, que medidas tomava?  ber a todos, principalmente, aqueles que possuem laços de
                                                              descendência. Porém, mesmo sendo “lusodescendente” é
        CB: Bem, devanear sobre esse assunto nos levaria a longas   importantíssimo, muito planejamento para uma mudan-
        linhas de raciocínio. Pensando no “Agricultor”, procuraria   ça radical, mesmo porque quando deixamos nossa zona
        encontrar meios de facilitar o escoamento e a distribuição   de conforto ocorrem muitos desencontros, nem tudo são
        da produção agrícola. Tendo em vista que o produtor rural,   flores, existindo espinhos também. Que vejam com muita
        por vezes, perde grande parte de sua produção por conta da   atenção se têm direito a apoios financeiros para se mante-
        falta de apoio e meios para comercializar os seus produtos.   rem até que estejam empregados, pois isso pode demorar.
        Portugal é um país com uma grande área cultivável ociosa,   Regularizem a documentação, pois sem isso estarão ilegais
        o jovem já não quer ficar na terra. Vai à busca de melhores   e sujeitos a penalizações descritas na lei. Mas, sobretudo,
        oportunidades, muitas vezes no estrangeiro. Com isso nos   não tenham medo de mudanças e não abandonem vossos
        tornamos um país de velhos e o despovoamento das aldeias   sonhos de alcançar uma vida melhor.
        está crescendo gradativamente. Já para os brasileiros te-
        ríamos que encontrar formas de incluí-los no mercado de   OM: O que mais gosta de fazer por cá?
        trabalho de um modo que se aproveitasse a formação aca-
        démica. Percebo que grande parte dos brasileiros que aqui   CB: Hoje faço coisas simples que até então só conhecia das
        estão,  não  exercem  a  profissão  na  qual  têm  experiência.   histórias  que ouvia  dos meus  pais.  Sento-me  à  beira  do
        Isso é desperdício de mão de obra especializada.      rio a ver a vida passar bem devagar, vou às vindimas, às
                                                              azeitonas, às castanhas. No inverno colocamo-nos frente
        OM: Que conselhos daria aos jovens lusodescendentes que   ao “Lume”, bebemos uns copos e contamos histórias, sa-
        estão espalhados por este mundo fora?                 boreando a vida, devagar. O mais importante de tudo é o
                                                              “convívio” com toda a gente, isso não tem preço, mas um
        CB: Portugal é um país maravilhoso e cheio de oportuni-  enorme valor.
        dades. O povo português é um povo muito recetivo e de   Estou feliz em ter ido ao encontro das minhas origens.



                                                                                                                                                                       I NFO @J G CO NS U LTI N G . P T
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