Page 8 - Observa Magazine Junho
P. 8

DE REGRESSO


        A PORTUGAL



        Terry Costa



        Luso-canadiano


        voltou à ilha de
        seus pais e fundou


        a mais visível
        associação cultural


        nos Açores,
        MiratecArts, com


        cerca de 670
        colaboradores das


        9 ilhas dos Açores






        Observa Magazine:  De ator a ence-  nova  faceta:  produção  e  apresenta-  cia. Cantava com as Irmãs de Carida-
        nador, produtor e criador de eventos.   ção, ainda que continue a criar. Estou   de na Casa de São José e na igreja, até
        Como carateriza a sua carreira?     apaixonado  pelas  ilhas.  Já  fiz  muitos   à minha adolescência. Nunca esqueço
                                            projectos, ora com os trocos que se   a Irmã Nivéria. Fazíamos teatro tam-
        Terry Costa: Sou um artista multidis-  encontram entre os coxins do sofá, ora   bém. A minha família sempre me in-
        ciplinar.  Sempre  trabalhei  no  mundo   com orçamentos milionários. Já acon-  centivou a ler, desde banda desenha-
        cultural artístico. É a minha vida e não   teceu ser pago, pelo mesmo trabalho,   da aos contos. Mas admito que talvez
        a minha carreira. Sigo as minhas pai-  com um jantar e no outro dia com uma   tudo começou quando desenhava ga-
        xões e aceito mudanças dependendo   viagem à volta ao mundo.            linhas nos cadernos escolares das mi-
        do que a natureza e as circunstâncias                                   nhas manas.
        nos oferecem. A minha vida já tem   OM: O teatro é a sua área de formação,   Os meus pais sempre me incentivaram
        três capítulos muito distintos. Nasci   mas investiu em outras áreas como a   a fazer o que me faz feliz.
        em Oakville, Canadá, mas meus pais   música e a dança. Porquê esta diversi-  Já no Canadá, na escola secundária,
        voltaram à ilha quando eu era apenas   dade?                            além de continuar no teatro, inves-
        bebé. Nos Açores, na ilha do Pico, pas-                                 ti muito na  dança contemporânea e
        sei a minha infância e aí o bichinho das   TC:  Desde  criança  sempre  participei   na pintura, especialmente, desenhos
        artes nasceu. Voltei ao meu país para   nas artes. Primeiro aprendi o solfejo   de grande porte a giz e instalações
        estudar e trabalhar em projetos tea-  com o Maestro Francisco de Matos,   que questionavam o papel dos géne-
        trais, mas também, noutras discipli-  na freguesia da Candelária, no Pico.   ros, algo que ainda continuo. Depois,
        nas artísticas. O regresso ao Pico, já na   A música e os instrumentos de corda   quando chegou a hora de continuar
        minha “meia-idade”, levou-me a esta   sempre fizeram parte da minha infân-  os estudos escolhi licenciar-me na



        PAG  8   |   OBSERVA - MAGAZINE
   3   4   5   6   7   8   9   10   11   12   13