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DE REGRESSO A PORTUGAL



                                                    TERRY COSTA








        te, foi um impulso que pareceu um alinhamento dos astros.   TC: Em janeiro de 2020, completamos 8 anos de progra-
        Necessitava de uma mudança na vida pessoal e pública/ar-  ma. Esta temporada, desejamos investir em novas ideias
        tística. Novos desafios. E claro, uma saudade da terra dos   que trazem o passado. Não sabemos se vamos ter o apoio
        meus tempos de infância. Acho que podemos dar voltas ao   para avançar com tudo o que sonhamos. A MiratecArts tem
        mundo, mas é “a nossa terra” que nos chama e que nos faz   conseguido alguns apoios, verbas muito pequenas, tanto de
        mais felizes. Nas artes também não necessitamos de estar a   apoio municipal, como de departamentos do governo re-
        residir nos maiores centros. Claro que a insularidade apre-  gional, o qual não costuma ajudar uma entidade em cresci-
        senta grandes desafios.                               mento. Se não fosse o apoio internacional, que basicamente
                                                              nos levam muitos artistas aos Açores, não seria possível ter
        OM: A insularidade é um desafio para a Associação?    um cartaz como o que temos vindo a apresentar.
                                                              Montanha Pico Festival, em janeiro, é um projeto de arte e
        TC: A insularidade é sempre um desafio. Para a MiratecAr-  aventura focado na cultura montanhosa e é abraçado pelo
        ts, um dos objetivos é dar a conhecer-mo-nos melhor in-  projeto Mountain Partnership das Nações Unidas; Azores
        ter - ilhas, sendo a mobilidade importante. Às vezes temos   Fringe em junho, é um festival que abre as portas a tudo
        de investir 2 ou 3 dias extra para ter a certeza que se pode   o que se faz em cultura artística, enquanto atua também,
        concretizar os planos de ilha para ilha. Além das ligações e   como agenda para os nossos colaboradores que fazem coi-
        dos altos custos de transporte, que são circunstâncias ne-  sas lindas em qualquer uma das ilhas, e foi nomeado como
        gativas, temos falta de equipamentos para certos projectos.   projeto que melhor promove uma região portuguesa,  pela
        Mas isso faz com que sejamos mais criativos. Quero deixar   AHRESP, e este ano devido à pandemia que enfrentamos vai
        claro que nos Açores pode fazer-se tudo como em qualquer   ter a sua oitava edição online; Cordas World Music Festi-
        parte do mundo, no que respeita às artes. Às vezes temos é   val, ou entre nós, o Festival Cordas, que se vai realizar em
        que nos adaptar. E, numa ilha somos mais criativos do que   setembro, apresentando culturas de todo o mundo através
        que numa grande cidade. Por isso, o que costumo a dizer   dos instrumentos de corda. Soma já 3 prémios internacio-
        aos artistas é que estamos no melhor lugar do mundo para   nais incluindo TOP 10 Best Global Festival, atribuído por
        criação, temos é de levar esses projetos além-mar…    um júri de 15 países da Transglobal World Music Chart. O
                                                              AnimaPIX, festival de animação na ilha do Pico, na sua edi-
        OM: Com MiratecArts tem sido um enorme impulsionador   ção de 2019 acolheu a maior artista portuguesa em termos
        na criação de projetos como o Azores Fringe Festival, Mon-  de animação, Regina Pessoa, que abraçou o festival e ficou
        tanha Pico Festival, Roteiro de Arte Pública na Madalena, o   como sua “Madrinha”. Estes são os nossos quatro gran-
        Festival Cordas e muitos outros. Quando fundou a Associa-  des festivais que espero consiga continuar a desenvolver.
        ção, esperava que tivesse a dimensão que tem atualmente?  Mas temos mais, incluindo o Visitarte, onde a arte acontece
                                                              em casas de alojamento rural, o Azores Birdwatching Arts
        TC: Desde 2012, que a MiratecArts promove os Açores, a arte   Festival em que vai tudo à volta das aves, e projetos como o
        e os artistas. Temos 4 grandes festivais, falados e galardoa-  Zape – Dia do Burro, Projeto Tricô, Encontro Pedras Negras
        dos internacionalmente. Muitos projetos englobando todo   que  acolhe  os  criativos  das  letras.  Finalmente,  destaco  a
        o tipo de arte e artistas. Nos nossos programas já acolhe-  nossa propriedade MiratecArts Galeria Costa, que se esten-
        mos mais de 1900 artistas de 64 países, incluindo, do norte   de por 24 mil metros quadrados, que desenvolve a arte na
        a sul de Portugal, ilha da Madeira e das 9 ilhas dos Açores.   natureza e a natureza como arte… entre outros que podem
        A plataforma que criamos online, www.discoverazores.eu ,   visitar no site www.mirateca.com.
        são os nossos colaboradores locais, cerca de 670 talentos.
                                                              OM: Lançou o seu primeiro livro infanto-juvenil no festival
        OM: O ano 2020, arrancou com a 6.ª edição do Montanha   de animação AnimaPIX, intitulado “Néveda  nos Açores”.
        Pico Festival. Para além das iniciativas que já estão planea-  Na sua opinião, a literacia infantil deve continuar a ser pro-
        das para 2020, haverá alguma novidade no decorrer do ano?  movida e mais desenvolvida?







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