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DE REGRESSO A PORTUGAL



                                                  JOSÉ DE BARROS

















































        15 anos. Aos 20 anos fui viver para ou-  neste país. Podemos ir com crianças   blico. Uma vez fui à urgência com um
        tra cidade, diferente da dos meus pais e   para  a natureza, sair à noite, que não   dos meus filhos que se magoou e es-
        aí já não falava português.         há problemas.                       perei 8 horas para que ele fosse aten-
                                                                                dido. Isso em França seria impensável,
        OM: Em que áreas profissionais traba-  OM: O que menos gosta em Portugal?  uma criança nunca esperaria todo esse
        lhou?                                                                   tempo para ser atendida, entrava ime-
                                            JB: Da administração pública.  Estou   diatamente. A saúde em França é rápi-
        JB: Trabalhei em várias empresas, no-  a fazer obras em casa, há três anos e   da, eficiente e todos os custos são efe-
        meadamente,  na Michelin nas áreas da   ainda não tenho tudo o que necessito.   tivamente, reembolsados. Mas para os
        produção e da transformação de mo-  A administração pública é muito com-  portugueses isso é normal, não enten-
        tores, essencialmente.              plicada, muita burocrática e é muito   do. Seguidamente, também, chamaria
                                            demorada.                           mais investidores a Portugal, embora
        OM: O que mais gosta em Portugal?                                       este governo esteja já a dar muitos in-
                                            OM: Se tivesse poder político que me-  centivos nesse sentido. Em Portugal
        JB: Gosto das pessoas. São sossegadas,   didas tomava em Portugal, no sentido   existem muitas competências pro-
        positivas. Para os portugueses está   de a melhorar?                    fissionais,  os  portugueses  são  muito
        sempre tudo bem, há sempre solu-                                        bons a trabalhar e desenrascam-se em
        ções, mesmo que as coisas não estejam   JB: Acelerava os procedimentos da   tudo. Já trabalhei com outros povos e
        lá muito bem. Os franceses são mais   Administração  Pública,  simplificava.   concluo que os portugueses são mes-
        negativos e colocam entraves e pro-  Fazia um esforço para subir os orde-  mo muito bons. Quer no turismo, quer
        blemas em tudo.  Os portugueses  têm   nados dos trabalhadores da saúde. Em   ao nível industrial, Portugal tem um
        um modo de ver a vida mais leve. Além   Portugal espera-se muito tempo para   enorme potencial e que deve ser apro-
        disso, gostamos muito da segurança   sermos atendidos num hospital pú-  veitado e trabalhado.



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