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COLUNAS DE AUTOR



                                         BARROSO, O MARCO A SALVAR







        A OBSERVA Magazine, desde há um ano, com a estreia da   e limitações impostas, dentro das casas pequenas de ci-
        rubrica «GRANDES TEMAS» assumiu a defesa do territó-   mento. Portugal não tem dimensão para ser escavacado
        rio de Portugal, num artigo que assinei com o título:  desta forma, durante uns dez anos, esquecendo-se que
        «E tudo o lítio levou?».                               temos futuro. E é de raízes que falamos -  também como
        Assim, temos sido recorrentes na defesa  das nossas ser-  aquela em que foi esculpido Torga - mas também das
        ras, áreas protegidas, Natureza, pastorícia, agricultura,   nossas, das dos nossos antepassados e também das gera-
        biodiversidade, eco-turismo, bem estar e saúde das po-  ções futuras. O que se passar no Barroso vai traduzir um
        pulações ameaçadas. Durante este ano, demos voz a sen-  precedente, para o bem ou para o mal, daquilo que se irá
        sibilidades partidárias variadas contra as minas de lítio,   passar um pouco por todo o país, não esquecendo a Serra
        mineral  essencial a outra loucura: o hidrogénio. Conti-  d´Arga, no Alto-minho.  Continuamos e continuaremos a
        nuamos a dar voz a muitos que defendem o território, po-  dar palco a quem defende o nosso território, a quem dese-
        voado por muitas casas de emigrantes e lusodescendentes    ja que o nosso país se desenvolva  com base na preserva-
        que irremediavelmente podem assistir à destruição in-  ção da Natureza, em clusters que podemos oferecer  com
        sensível e brutal das suas aldeias, onde depositam esfor-  base na nossa natural capacidade de melhores  anfitriões
        ços de uma vida inteira.                               do mundo, no seio duma «casa portuguesa, concerteza».
        O Barroso, Montalegre, em Trás-os-Montes (aqueles      Em flashs mais ou menos conscientes podemos antever e
        montes de que nos falava  Miguel Torga, lembrado há    sonhar com um país verde e abundante em água, lusodes-
        pouco numa escultura cravada numa raiz) está com a ca-  cendentes e investidores (estrangeiros e nacionais) num
        beça no cepo e pode -  a todo o momento, ser invadido por   turismo que pode transformar a economia e ser uma fon-
        máquinas destruidoras, em nome do «desenvolvimento»,   te de riqueza muito mais lucrativa do que as crateras que
        das baterias de lítio para os nossos computadores e tele-  nos querem impor, a prazo, por quem se ilude com o lucro
        móveis. Cada vez mais, os jovens procuram o silêncio dos   imediato.
        montes portugueses, fazem escaladas e percursos  pedes-  Continuaremos a dar espaço a quem quer esclarecer os
        tres, procurando no silêncio a inspiração para continuar   nossos leitores sobre esta febre de esburacar a Península
        esta caminhada difícil, neste mundo atordoado de prisões   Ibérica, fazendo dela o caixote de lixo da Europa.














                                                 Madalena Pires de Lima
                                                       Diretora Adjunta
                                                   diretora@observamagazine.pt











                                                                                    OBSERVA - MAGAZINE   |   PAG  11
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