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OLDIANOS DO MÊS







        O kilt “escocês”



        e o chá das 5 «inglês»


        afinal são portugueses



                                                                                      Isabelle Coelho-Marques

        O traje masculino europeu reconhecido   saia e permitir que povo e nobreza o   Com  formação  em  advocacia  legislativa
                                                                                 e regulatória, Isabelle Coelho-Marques
        como peça de vestuário, marca de um   pudessem  usar  indistintamente  como   é uma defensora de causas, líder comu-
        povo, é a saia escocesa. Contudo, en-  símbolo de orgulho nacional. Por essa   nitária e analista. Com um longo trajeto
        contramos  testemunhos  iconográficos   altura,  a  saia  portuguesa  havia  caído   de trabalho voluntário em prol da Comu-
                                                                                 nidade Portuguesa de Nova Iorque, em
        do século XI ao século XIV que negam   em  desuso  como  traje  diário,  sendo   2015, foi eleita Conselheira das Comu-
        essa origem escocesa. Durante os anos   usada  apenas  por  militares,  especial-  nidades Portuguesas (suplente) por Nova
        1000 a 1200 e durante a Idade Média   mente cavaleiros.                  Iorque, Connecticut e New Jersey.
        (séculos  XIII  e  XIV),  os  escoceses  ves-                            Em  2016,  Isabelle  foi  eleita  presiden-
                                                                                 te  da  New  York  Portuguese-American
        tiam-se como qualquer outro povo eu-  O “Chá das 5” (ou de qualquer hora)  Leadership  Conference  (NYPALC),  uma
        ropeu de climas frios do Norte: a túnica    Portugal assumiu um papel fundamen-  associação que reúne 69 organizações
        comprida em lã, no inverno, e no verão   tal na história do chá, e não apenas por   luso-americanas,  com  o  objetivo  de  re-
                                                                                 presentar, defender e promover os inte-
        umas  calças  (hosen)  que  davam  pelo   ter sido o primeiro país europeu a es-  resses desta comunidade.
        joelho.  Não  há,  pois,  quaisquer  vestí-  tabelecer rotas comerciais com a China
        gios de saias  e  dos  tartans coloridos   e  a  comercializar  a  planta,  no  século
        e  axadrezados,  que  apenas  no  século   XVI. Foi uma princesa portuguesa que
        XVIII passaram a identificar o “traje es-  popularizou o famoso “chá das cinco”
        cocês”. O traje popular português, por   em  Inglaterra.  Catarina  de  Bragança,
        sua vez, então, era o saio, peça única   filha de D. João IV e de D. Luísa de Gus-
        que se enfiava pela cabeça e cobria o   mão casou com Carlos II de Inglaterra,
        tronco e os braços, descendo até meio   em 1661, e rumou a Londres em 1662,
        da perna, ajustando na cintura com um   levando  consigo: um  grande  dote de
        cordão.                            500 mil libras de ouro; o direito de In-
        Os  tecidos  de  burel  e  outros  tecidos   glaterra  exercer  o  livre  comércio  com
        de lã portugueses espalharam-se pelo   qualquer colónia portuguesa; a oferta      Sandrina Santos
        mundo desde o século XIV.  Existem re-  da  cidade  de  Bombaim  e  imagine-se:
        ferências ao comércio de tecidos de lã   uma caixa de chá!               Nasceu em frança, em Paris,  a 25 de no-
        portugueses destinados à Escócia des-                                    vembro de 1975, país onde viveu e estu-
                                                                                 dou até aos 12 anos de idade, data em
        de  o  século  XIV,  a  introdução  do  saio                             que regressou com os seus pais a Por-
        português naquela região terá ocorrido                                   tugal. Concluiu a  licenciatura em  Direito
        nessa altura, sendo então usado como                                     na  Faculdade de Direito da Universidade
        peça de vestuário popular nessas terras                                  de Coimbra, tendo realizado um estágio
                                                                                 de 2 anos num escritório de advogados
        altas e frias. A construção de uma iden-                                 especializado em Direito do Trabalho.
        tidade escocesa, que se foi vergando à                                   Posteriormente exerceu  funções como
        coroa inglesa, levou a que os escoceses                                  jurista no  Centro Nacional de Apoio ao
                                                                                 Imigrante do  Alto Comissariado  para
        escolhessem um traje diferenciado do                                     as Migrações, no período  compreendi-
        inglês. A opção pela saia, e posterior-   Philippe Fernandes             do entre 2008 a 2014, encontrando-se
        mente  pelo  Kilt  decorativo,  foi  uma    Observatório dos Lusodescendentes  atualmente e desde o ano de 2015 a
                                                                                 exercer funções  como técnica superior
        inovação  no  sentido  de  enobrecer  a    philippefernandes@old.pt      jurista  na Secretaria-Geral do Ministério
                                                                                 das Finanças em Lisboa.


                                                                                     OBSERVA - MAGAZINE   |   PAG  7
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