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OBSERVATÓRIO





                                     Colóquio “Macau – Vertentes da Mobilidade”








                                                 reunir, sem antagonismo, a espiri-  da RAEM - Região Administrativa e
                                                 tualidade chinesa e o humanismo   Especial de Macau. Análise das dinâ-
                                                 português, o milagre da comunica-  micas inerentes a este processo, no-
                                                 ção entre a expressão ideográfica   meadamente as que são promovidas
                                                 chinesa e a poética ínsita na língua   pela República Popular da China, e a
                                                 de Camões.”                     forma como marcam a comunidade
                                                 A presença portuguesa em Macau,   macaense, a sua herança cultural e
                No passado dia 17 de outubro, a   desde 1513, resultou de uma    traços identitários.
                Sociedade de Geografia de Lisboa   ligação especial e única entre dois   Com a presença de:
                acolheu o colóquio “Macau – Verten-  estados soberanos que sempre   Mário Santos, Presidente da Funda-
                tes da Mobilidade”, organizado pela   assumiram os seus compromissos   ção Casa de Macau
                Comissão de Migrações. A organi-  e acordos bilaterais. Nunca houve   Manuel Rodrigues, macaense e estu-
                zação esteve a cargo de Joaquim Ng   guerra naquele território. E os   dioso da gastronomia macaense
                Pereira, um lusodescendente ma-  frutos dessa relação secular com   Joaquim Ng Pereira, macaense e
                caense de gema, e um dos poucos   a China manifestam-se no que   estudioso do crioulo macaense
                falantes do Patuá - essa língua crioula   Macau é, ainda nos dias de hoje.    Celina Veiga de Oliveira, historiadora
                e melodiosa resultante da mistura do   Nota para o espetáculo “O Fado (e   e investigadora
                português com o mandarim e outras   não só) Acontece”, organizado pela   Marisa Gaspar, antropóloga e inves-
                línguas do Oriente.              AIDGlobal, que no passado dia 5 de   tigadora
                O colóquio tinha como objetivo   novembro trouxe a palco a banda   Vítor Serra de Almeida, representan-
                aprofundar a complexidade macaen-  Quid. Um projeto com o instrumen-  te da Casa de Macau de Portugal
                se do ponto de vista das migrações e   talista macaense Cheong Li , que toca   Mesmo sob a administração chinesa,
                da sua influência através da multipli-  erhu, e que apresenta temas de Fado   a proteção da cultura portuguesa
                cidade de etnias e tradições. Macau   e não só. A existência de bandas mul-  é hoje muito importante já que os
                é parte da história das migrações   ticulturais portugueses, chinesas e   macaenses são um belo exemplo
                portuguesas e da miscigenação    macaenses é um sinal muito positivo   em que a multiculturalidade origina
                cultural daí resultante, tal como foi   do encontro das nossas culturas.  uma cultura rica e harmoniosa que
                referido pelo professor Joaquim Ng   A não perder!               favorece o convívio entre diversos
                Pereira ao citar a obra de Roberto   Debate “Identidade Macaense: Que   povos. Após tantos séculos de enten-
                Carneiro:   “Da China, Macau recebe   futuro?”                   dimento, os símbolos portugueses
                o mistério, a espiritualidade e a sensi-  Fundação Oriente/Museu do Oriente   devem continuar a ser respeitados
                bilidade. De Portugal, ela é herdeira   6 de dezembro às 18h (sala Beijing)  para que a vasta diáspora macaense
                de aventura, maresia e cristianismo   Coordenação pelo professor Carlos   continue a ter em Macau a terra
                universal. De ambos, Macau tem   Piteira do ISCSP                “mãe”, sem nunca esquecer Portugal
                em comum o Fado. Macau possuí    2019 marca os 20 anos da transição   como a “avó”.
                o encanto discreto das grandes   do território de Macau para admi-
                instâncias de síntese. Ela consegue   nistração chinesa e a constituição





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